domingo, 20 de abril de 2014

Sempre a frente, sempre em frente!


 As vezes deitada em minha cama, quando tudo está escuro, e as estrelas fosforescentes grudadas no teto do meu quarto brilham mais que as do céu, quando meu irmão caçula está morto de cansaço depois de uma partida de futebol e meus pais ainda assistem ao jornal, me recordo do tempo que jamais voltará.
 Quase sempre me arrependo por ter vivido com antecipação, sempre a frente, sempre em frente, me arrependo pelas amizades que perdi nos olhos de um tempo ilusório. Me lembro da minha cadela Suze, como a amava, fazendo com que ela participasse do meu mundo de ilusões e fantasias. Já fomos piratas um dia.
 É estranho quando se olha para trás e percebe quantas emoções boas já vivenciou e o quanto foi burra para não percebe-las, mas estou bem, vivendo em uma vida de adulta inventada, cheia de altos e baixos, com tantos sorrisos opacos. Permanece algo que não poderia descrever, ninguém pode ler o que está no oculto dos meus lábios, mesmo quando canto Legião e todos estão ao meu favor. Era sempre fácil e rápido me recuperar,era sempre mais fácil me levantar.
 Então decidi não olhar para trás, escolhi ser tudo e ao mesmo tempo nada, minhas lembranças, as pessoas e todos os momentos ainda estão aqui, permanecem em uma memória falha, mas é o que sempre dizem: só lembramos daquilo que nos convém, no momento em que desejamos.
 Não conseguimos descartar todas as cartas escritas pela solidão, Paulo Coelho disse que solidão é opção, ninguém quer estar só, mas procurei estar, talvez por egoísmo, por medo de me apaixonar, o tempo sopra ao nosso favor, antes me sentia mal e hoje não é bem assim.

Um comentário:

Dayanna Ferreira disse...

Me vi nesse texto, até já tive uma cadela chamada Susi na infância acredita? Já fomos piratas e princesas também! rs

E a vida as vezes nos escapa pelos dedos né? Mas tudo isto só nos faz mais fortes!

Beijos

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